Florindas 2016

Florindas 2016

Coleção marcada por extremos cromáticos.  Por um lado, tons de branco, areia e perola.  Suavidade e leveza, remetendo para ambientes calmos e puros. Por, outro, uma verdadeira explosão de cores e padrões com inspiração em ambientes de floresta tropical. Cores fortes, que se servem das Florindas como telas de pintura.

A flying fish

A flying fish

Construção de boneca com inspiração no álbum The living road, de Lhasa de Sela

Partindo de um poema, escolha do tema travessia /passagem. O surgir da vida no ventre materno e o seu desenvolvimento até ao expoente máximo. Até ter esgotado todos os recursos de crescimento e ser necessário avançar para uma nova etapa ou travessia, o nascimento. De novo a amplificação da vida onde sopram ventos e brilham estrelas e aprendemos a ter a força de um navio e a sabedoria de uma baleia – “the living road”.

Até que o riso faz desmoronar de novo a vida, e a morte nos leva a renascer noutra dimensão – “and a flying fish will set me free”.

 

Lhasa de Sela

 

Inspiração boneca “Travessia”

Inspiração boneca “Travessia”

SOON THIS SPACE WILL BE TOO SMALL

SOON THIS SPACE WILL BE TOO SMALL

AND I’LL GO OUTSIDE

TO THE HUGE HILLSIDE

WHERE THE WILD WINDS BLOW

AND THE COLD STARS SHINE

 

I’LL PUT MY FOOT

ON THE LIVING ROAD

AND BE CARRIED FROM HERE

TO THE HEART OF THE WORLD

I’LL BE STRONG AS A SHIP

AND WISE AS A WHALE

AND I’LL SAY THE THREE WORDS

THAT WILL SAVE US ALL

AND I’LL SAY THE THREE WORDS

THAT WILL SAVE US ALL

 

SOO THIS SPACE WILL BE TOO SMALL

AND I’LL LAUGH SO HARD

THAT THE WALLS CAVE IN

THEN I’LL DIE THREE TIMES

AND BE BORN AGAIN

IN A LITTLE BOX

WITH A GOLDEN KEY

AND A FLYING FISH

WILL SET ME FREE

 

SOON THIS SPACE WILL BE TOO SMALL

ALL MY VEINS AND BONES

WILL BE BURNED TO DUST

YOU CAN THROW ME INTO

A BLACK IRON POT

AND MY DUST WILL TELL

WHAT MY FLESH WOULD NOT

 

SOON THIS SPACE WILL BE TOO SMALL

AND I’LL GO OUTSIDE

AND I’LL GO OUTSIDE

AND I’LL GO OUTSIDE

Lhasa de Sela, The living road

Painel de inspiração para a criação da boneca “Travessia”.

Parti da letra de uma canção da Lhasa de Sela, de que gosto especialmente. Fala de travessias entre estados de vida e de morte, e de um peixe voador que liberta. Procurei imagens fortes de vida e movimento. Fluir entre estados que se vão  tornando demasiado pequenos para a existência e nos levam sucessivamente para algo maior…

Primeiras pesquisas texteis de texturas, formas e cores. O fluir do sangue, a ligação entre o feto e o ventre materno.

Anatomia de uma boneca

Anatomia de uma boneca

As minhas primeiras bonecas foram surgindo como brinquedos para crianças, com formas livres e simples. Iniciei recentemente um novo processo de descoberta da anatomia de uma boneca, com uma maior aproximação à figura  humana e como forma de expressão artística. Sinto-me confortável na fronteira entre o realismo e o abstrato, entre um objeto e a representação da minha ideia dele. Não procuro uma representação realista, apenas uma sugestão, apenas a transmissão de uma ideia ou sentimento. É um processo experimental de procura de uma combinação harmoniosa de formas, texturas, cores e padrões.

Seja um anjo

Seja um anjo

Como todos sabem, os anjos adoram cantar. Alguns cantam durante séculos. Músicas etéreas que nos fazem elevar os pés do chão e nos oferecem tremores de alegria. Estes são anjos especiais. Muito friorentos e com tendência a apanhar constipações, o que é um grave problema para as suas vozes! Os mais pequenitos ficam doentes muitas vezes e consomem toneladas de mel puro, que por sinal, eles adoram. Para se protegerem o melhor possível, vestem sempre casacos compridos e muito bem abotoados, de cores intensas e vibrantes, que servem também como guarda roupa para as actuações do Coro Voz de Anjo, de que todos fazem parte. Talvez já os tenham escutado por aí…

Os anjos resultaram de um processo de criação de personagens para ilustração de uma história para a infância. Procurava traços simples, um pouco naif, muito coloridos e divertidos. Anjos apeteciveis para as crianças mais pequenas. Anjos que vivem como nós. Que brincam, têm vida social, ficam doentes e têm frio. Anjos como nós. Como todos somos, ou podemos ser. Com quem todos nos cruzamos ao longo das nossas vidas.

 

Fios de raizes bordadas

Fios de raizes bordadas

Escrevemos a palavra escola.

A flor da amizade nasceu

numa manta retalhada de memórias

que aconchega o nosso coração.

É uma flor da amizade

sem tempo, sem idade…

Fortaleceu o caule da inteligência,

sacudiu as pétalas do sorriso

e perfumou a nossa infância.

Voltou a cabeça

à procura do sol da bondade

e soltou, suavemente, grãos de pólen

sobre a mesa.

Depois brotou até ficar

com fios de raizes bordadas

em nossa natureza!

Texto coletivo realizado pelo 3º B, da EB1 Norton de Matos, 2014/1015, Coimbra

12 Junho 2015 055

Foi com muito orgulho que as crianças apresentaram a sua manta aos familiares, com um teatrinho cheio de carinho e muita poesia.

Adorei o desafio e todos os momentos passados na companhia destes pequenos artistas e da sua professora. Muito obrigado a todos!

Construção da Manta de Memórias

Construção da Manta de Memórias

Que desafio delicioso!

Memórias desenhadas e coloridas em papel, foram dando lugar a quadros “pintados” com tecidos e linhas.

a manta 011Cada criança escolheu uma memória significativa para a sua tela especial que costurou e decorou a gosto, oferecendo o seu contributo para a manta.

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Conseguimos 21 quadros individuais, cada um único, especial, com um grande valor afetivo.

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De seguida unimos todos os quadros, criando uma manta de memórias da turma, onde  se contam as histórias de vivências comuns, bordadas e unidas pela amizade e cumplicidade.

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Faltam apenas as decorações finais, bem fofinhas e coloridas e as palavras que brotaram do coração e uniram toda a cor e texturas da manta.

a manta pompom 014 - Cópia

 

Manta de Memórias – o projeto

Manta de Memórias – o projeto

A Manta de Memórias, é um projeto de trabalho coletivo, realizado com uma turma do 3º ano do 1º ciclo, em Coimbra.

Tem como objetivo conceber e executar uma manta de memórias, com retalhos de tecido significativos para cada criança.

Pretende em simultâneo trabalhar a sensibilização e o desenvolvimento de competências ao nível da manipulação têxtil, criatividade, sentido estético e motricidade fina.

O projeto tem como ponto de partida a leitura do livro “A Manta, uma história aos quadradinhos (de tecido)” , de Isabel Minhós Martins (texto) e Yara Kono (ilustrações), editado por Planeta Tangerina em 2010.

Começámos o nosso trabalho com uma sessão de exploração sensorial de tecidos e origem dos diferentes materiais têxteis e com uma aula de treino de costura à mão, com pontos básicos e muitas picadelas nos dedos!

17 abril 2015 020

Depois abrimos as portas da memória e deixámos surgir os momentos mais siginificativos que estas crianças partilharam nos três anos que frequentaram a escola juntas.

E foram tantos os bons momentos reencontrados!

a manta 001

Fio do tecido

Fio do tecido


O que é o fio do tecido?

Iniciei hoje uma formação modular, no CEARTE, de Curso Modelista de vestuário – casacos e percebi que precisava urgentemente de aprender alguns conceitos.

Pareceu-me que deveria começar pelo conceito de “fio do tecido”, pela frequência com a formadora nos alertou para a sua existência e importância.

Depois de algumas leituras e pesquisas na internet, fiz algumas ilustrações e sistematizei aqui a informação que me pareceu mais relevante.

Comecemos então, pela estrutura do tecido.

O tecido é formado pelo entrelaçamento de dois fios que se cruzam perpendicularmente:

Urdume (ou teia), é o fio longitudinal, no sentido do comprimento;

Trama, é o fio transversal, no sentido da largura.
O arremate lateral, no sentido do comprimento, é chamado ourela.

Podemos visualizar melhor, se pensarmos num tear manual, que consiste numa armação de madeira em que prendemos vários fios, lado a lado (urdume ou teia), bem esticados. Depois passamos outro fio por entre os fios já esticados (fio de trama). Este fio vai passando um por cima, e outro por baixo, sucessivamente e criando um tecido.

Fio de urdume “O meu livro de lavores”, Editorial Verbo

Fio de urdume “O meu livro de lavores”, Editorial Verbo

Os fios que correm na horizontal, são os fios de urdume, e os fios que passam entre os fios de urdume na vertical são a trama.

Fio de urdume “O meu livro de lavores”, Editorial Verbo

Fio de urdume “O meu livro de lavores”, Editorial Verbo

O fio do tecido, é o sentido em que corre o fio de urdume.

Como o urdume e a trama, assumem funções diferentes no momento da tecelagem, acabam por ter caraterísticas diferentes, que vão influenciar o “cair” da roupa.

O fio de urdume, fica com bastante tensão, ao ser esticado, sendo a base da trama do tecido. Os fios de urdume, geralmente são mais finos, mais torcidos e mais resistentes.

Os fios de trama, passam entre os fios de urdume, sem serem demasiado puxados, tendo pouca tensão. Ficam ondulados no tecido porque seguem um caminho em zigzag em redor dos fios de urdume. Os fios utilizados podem ser menos resistentes e menos torcidos.

Tecido

Peça de tecido

Quando o fio de urdume cai perpendicular ao chão, a roupa tem um melhor “cair”.

O corte em viés é feito a 45˚ do fio de urdume. Neste sentido não passa nenhum fio do tecido, por isso o caimento é mais leve e o tecido estica mais.

Queda do fio reto

Queda do fio reto

 

Queda do fio reto

A ourela cai perpendicular ao chão.

Caimento firme, mas não muito rígido.

 

 

 

 

 

 

 

Queda do fio atravessado

Queda do fio atravessado

 

Queda do fio atravessado

A ourela cai paralela ao chão.

O caimento é armado.

 

 

 

 

 

 

 

Queda do fio enviesado

Queda do fio enviesado

 

Queda do fio enviesado

Os fios de trama e urdume caiem em diagonal em relação ao chão.

O caimento é mole e flexível.

 

 

 

 

 

 

 

 

Como descobrir qual o fio do tecido, mesmo sem ourela?

Temos de investigar o tecido segundo alguns critérios: elasticidade; listras; fios fantasia; ondulação e resistência.

O tecido tem uma certa elasticidade natural no sentido da trama. Se puxarmos o tecido, no sentido do urdume sentimos que ele não cede, não estica nada, enquanto no sentido da trama ele estica. Em tecidos com elastano, este encontra-se no sentido da trama.

Existem tecidos listrados de dois tipos: estampados, e tramados. Nos tramados, ou seja, os que foram feitos com fios coloridos, as listras aparecem iguais no avesso e direito do tecido. As listras tramadas ajudam a identificar o fio porque normalmente os tecidos listrados têm as listras na vertical, ou seja, no urdume.

O fio fantasia é qualquer fio irregular, ou trabalhado, como fios chenille, fios rústicos que têm partes mais grossas que outras, fios metálicos, etc. Quando o tecido tem esse tipo de fio, normalmente ele vai na trama do tecido, pois não são resistentes ou regulares o suficiente para serem urdume.

Outra diferença possível entre os fios de urdume e de trama é a ondulação. Ao desfiar um pouco o tecido, podemos encontrar uma diferença entre a ondulação dos fios de trama e de urdume. Geralmente os fios de urdume são menos ondulados que os fios de trama, ou os ondulados são mais espaçados.

O fio que parte mais facilmente, normalmente, é a trama.

Recomendo os sites da Renata Perito e da Escola de Moda e CIA, para quem tem interesse pelo “corte e costura”.